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“Para me manter sóbrio tenho que me manter ligado a pessoas que estão buscando a sobriedade, dia após dia. Porque não tem como deletar a memória do prazer intenso do uso da droga. Não sou uma máquina”. Esse é o testemunho de Marcos (nome fictício), 31 anos. Ele conta que tem se mantido longe das drogas desde que passou a frequentar comunidades terapêuticas.

Tratam-se de serviços residenciais transitórios, de atendimento a dependentes químicos, de caráter exclusivamente voluntário, que oferece ambiente protegido, técnica e eticamente orientado. A proposta destes espaços, mais que a apenas a manutenção da abstinência, é a melhora geral na qualidade de vida, assim como a reinserção social do indivíduo.

Neste contexto foi realizado no Centro de Inclusão da Apape, na noite do último dia 15, o primeiro “Fórum Regional de Políticas Públicas voltadas às Comunidades Terapêuticas em Botucatu”. O evento realizado pelo Sarad (Serviço de Atenção e Referência em Álcool e Drogas) e Grupo Reage, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde,  reuniu profissionais de saúde, estudantes, voluntários e representantes de diversas entidades que atuam ativamente no combate à prevenção e tratamento de drogas.

O encontro buscou, não apenas debater o papel das Comunidades Terapêuticas dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAP), como também estimular integração com os demais equipamentos de saúde. Segundo Pablo Kurlander, psicólogo e gestor geral da Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract), o último levantamento, realizado em 2014, apontava a existência de cerca de 2 mil CTs em todo o País.

“Os dois principais eixos do nosso trabalho são de qualificar e contribuir para que as comunidades possam funcionar com um método, de acordo com princípios técnicos e éticos. E o segundo: conseguir uma aproximação e articulação com os equipamentos de saúde, de proteção social para que estas comunidades funcionem de fato dentro de uma rede de serviços”, enfatiza.

Diálogo
Janice Megid, coordenadora do Sarad, vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), entende que as Comunidades Terapêuticas desempenham um papel importante na recuperação de dependentes químicos. Porém, precisam estar amparadas tecnicamente. Em diálogo constante com os equipamentos de saúde. Em especial as unidades básicas, que devem ser a porta de entrada destes pacientes.

“Para a Comunidade Terapêutica acolher o dependente químico é preciso que o paciente esteja mais estável. A questão é que algumas comunidades vêm de um processo religioso. Claro que a espiritualidade é uma parte importante deste processo. Mas não pode ser só isso. Tem que ofertar a parte terapêutica, apoio psicológico. Agora é preciso trazê-las ao diálogo”, afirma.

Este primeiro Fórum Regional contou ainda com a colaboração do Grupo Reage, uma rede de agentes que promove inúmeras ações, diretamente com a comunidade, em prol da proteção e prevenção às drogas. De acordo com Juberto Galdino, representante local deste grupo, Botucatu conta com pelo menos quatro CTs em plena atividade.

“Nosso intuito é que este trabalho intersetorial envolva secretarias do Município e traga impactos positivos e periódicos. Estamos pleiteando um Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas, o que seria um meio da gente construir algo maior: um Plano Municipal de Prevenção às Drogas”, comenta Galdino, que lembra que no final do mês de junho acontece a Semana Municipal de Prevenção às Drogas.


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